Manguito rotador: quando operar e quando nem pensar nisso

Manguito rotador: quando operar e quando não

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A palavra “ruptura” no laudo da ressonância assusta, e muita gente sai do exame achando que a cirurgia é inevitável. Mas, no manguito rotador, a decisão de operar depende de vários fatores, e muitas lesões são tratadas sem cirurgia com bons resultados. Entender esses fatores ajuda a decidir com mais segurança.

Nem toda lesão é igual

As lesões do manguito podem ser parciais ou completas, pequenas ou grandes, e, principalmente, traumáticas ou degenerativas. A lesão traumática acontece depois de uma queda ou de um esforço brusco, geralmente em alguém que antes não tinha dor. A degenerativa surge aos poucos, com o desgaste natural do tendão ao longo dos anos, e é muito mais comum.

O que pesa na decisão
O que pesa na decisão

O que os estudos mostram

Ensaios clínicos que compararam cirurgia e fisioterapia em lesões pequenas e médias, sem trauma, mostraram que muitos pacientes melhoram com a reabilitação. Em um estudo, os dois grupos melhoraram bastante em um ano, com uma pequena vantagem para a cirurgia. Em outro, com lesões degenerativas, o resultado da fisioterapia foi parecido com o da cirurgia. Por isso, nessas lesões, a reabilitação costuma ser o primeiro passo.

Quando a cirurgia faz mais sentido

  • Lesão traumática em pessoa jovem ou ativa, principalmente com perda de força;
  • Lesão que aumenta de tamanho no acompanhamento;
  • Dor e limitação que continuam apesar de alguns meses de tratamento bem feito;
  • Lesões em que a demora pode levar à retração do tendão e à piora do músculo.

No vídeo abaixo, explico com mais detalhes quando operar o manguito rotador e quando nem pensar nisso.

Vídeo: Manguito rotador: quando operar (e quando nem pensar nisso)

Sintomas da lesão do manguito

  • dor na lateral do ombro, que pode descer pelo braço;
  • dor ao levantar o braço, pentear o cabelo ou vestir uma camiseta;
  • dor à noite, principalmente ao deitar sobre o ombro;
  • fraqueza para levantar ou girar o braço.

Algumas pessoas têm a lesão e não sentem nada. Um estudo acompanhou pessoas com lesões sem sintomas e mostrou que parte delas passou a ter dor com o tempo, muitas vezes junto com o aumento da lesão.

Como é feito o diagnóstico

O exame físico testa a força de cada tendão do manguito e o movimento do ombro. O ultrassom e a ressonância mostram o tamanho da lesão, quanto o tendão se retraiu e a qualidade do músculo. A presença de gordura no músculo é um dado importante, porque músculos muito substituídos por gordura têm menor chance de um bom reparo.

O que acontece com o tempo

Algumas lesões ficam estáveis por anos. Outras aumentam. Um estudo acompanhou lesões sem sintomas por vários anos e mostrou que as completas aumentaram com mais frequência que as parciais. Por isso, quem segue o tratamento sem cirurgia precisa de acompanhamento, principalmente se surgir fraqueza ou mais dor.

No estudo norueguês que comparou cirurgia e fisioterapia em lesões pequenas e médias, os dois grupos continuaram bem depois de 15 anos, com uma pequena vantagem para a cirurgia. Parte dos pacientes tratados com fisioterapia acabou operando ao longo do tempo.

O que mais pesa na decisão

  • o tipo de lesão: traumática ou por desgaste;
  • a força do braço no exame;
  • a idade e as atividades do paciente;
  • o tamanho da lesão e a qualidade do músculo;
  • a resposta ao tratamento sem cirurgia.

Um estudo com pacientes tratados com fisioterapia mostrou que a expectativa da pessoa sobre o tratamento previu melhor quem acabaria operando do que o tamanho da lesão. Conversar sobre o que esperar faz parte do tratamento.

Como é a recuperação depois do reparo

Depois do reparo, o braço fica na tipoia por cerca de 4 a 6 semanas. A fisioterapia começa com movimentos sem esforço, avança para os movimentos ativos e, a partir do terceiro mês, para o fortalecimento. O retorno a esportes e trabalhos pesados costuma levar de 4 a 6 meses ou mais.

Perguntas frequentes

Toda ruptura do manguito precisa de cirurgia?

Não. Muitas lesões, principalmente as degenerativas, melhoram com fisioterapia. A cirurgia é indicada conforme o tipo de lesão, a força, os sintomas e as atividades do paciente.

Quanto tempo devo tentar a fisioterapia?

Em geral, alguns meses de reabilitação bem feita. Se não houver melhora, a decisão é revista com o médico.

A lesão pode piorar se eu não operar?

Algumas lesões aumentam com o tempo, por isso o acompanhamento é importante, principalmente quando surgem fraqueza ou mais dor.

Leia também: Cirurgia do manguito rotador: como é a recuperação · Lesão do manguito sem cirurgia: o que a fisioterapia resolve

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Este artigo faz parte do guia sobre manguito rotador. Para ver o tema completo, leia Manguito rotador: o que é, sintomas de lesão e quando se preocupar.

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Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

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