O manguito rotador é a causa mais comum de dor no ombro, de longe. Mesmo assim, muita gente sai do consultório sem entender o que essa expressão quer dizer. Aqui você vai ver o que é o manguito, como reconhecer uma lesão e por que o laudo do exame não conta a história inteira.
O que é o manguito rotador?
É um conjunto de quatro músculos e seus tendões que envolvem a cabeça do úmero, como a manga de uma camisa envolve o braço. Eles estabilizam o ombro e permitem levantar e girar o braço.
| Músculo | Onde fica | O que faz |
|---|---|---|
| Supraespinal | Parte de cima do ombro | Ajuda a levantar o braço |
| Infraespinal | Parte de trás | Rotação externa: levar o braço para fora |
| Redondo menor | Parte de trás, mais abaixo | Rotação externa, junto com o infraespinal |
| Subescapular | Parte da frente | Rotação interna: levar a mão às costas |
Quais são os sinais de lesão do manguito rotador?
- Dor ou dificuldade para levantar o braço, principalmente pela lateral ou ao levar a mão acima da cabeça.
- Dor à noite. Deitar sobre o ombro piora o incômodo e pode atrapalhar o sono.
- Perda de força em tarefas simples, como segurar uma sacola, pegar um objeto ou alcançar o armário.
Ter esses sintomas não significa, necessariamente, que o tendão está rompido. Mas, se eles persistem, o ombro merece avaliação.
O que causa a lesão do manguito rotador?
Na maioria das vezes, a origem é a sobrecarga: movimentos repetidos acima da cabeça, no esporte ou no trabalho. Horas no computador, com o ombro projetado para frente, também contribuem.
O quadro costuma começar como uma inflamação. Sem ajuste de postura e de carga, ele evolui aos poucos. Nem sempre é uma lesão grave.
Qual a diferença entre ruptura aguda e ruptura crônica?
A ruptura aguda acontece de forma súbita, geralmente após uma queda ou trauma. A ruptura crônica se forma pouco a pouco, ao longo de anos, muitas vezes sem a pessoa perceber.
É comum encontrar ruptura parcial do supraespinal na ressonância de pessoas acima de 60 anos que não sentem nada. Isso ensina duas coisas: nem toda ruptura dói, e nem toda ruptura que aparece no exame é a causa da sua dor. A imagem precisa ser interpretada junto com a história e o exame físico.
O que ajuda e o que não ajuda no tratamento?
| Ajuda | Não ajuda |
|---|---|
| Fortalecimento orientado, incluindo musculação | Repouso prolongado, que enfraquece músculo e tendão |
| Ajuste de postura e do gesto no esporte ou no trabalho | Tipoia ou imobilizador por conta própria |
| Avaliação com especialista para tratar a causa certa | Tratar “dor no ombro” sem saber o diagnóstico |
A maior parte das lesões do manguito começa a ser tratada sem cirurgia. A operação entra na conversa quando a lesão é extensa, quando o tratamento bem feito não funcionou ou quando a limitação no dia a dia é importante.
Perguntas frequentes
Não. Muitos pacientes melhoram com fisioterapia bem indicada e fortalecimento. A decisão depende da lesão, da resposta ao tratamento e do impacto na sua rotina.
O supraespinal, que participa do movimento de levantar o braço.
Não. Ela é mais frequente com a idade, mas aparece em atletas e em quem faz movimentos repetitivos acima da cabeça, como nadadores e tenistas.
Leia também: Dor no ombro precisa de cirurgia? · Ressonância do ombro: como entender o laudo
Reconheceu algum desses sinais? Agende uma avaliação.
Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.
Referências
- Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 5th ed. Philadelphia: Elsevier; 2017. Cap. 14: Manguito rotador.
- Keener JD, Galatz LM, Teefey SA, et al. A prospective evaluation of survivorship of asymptomatic degenerative rotator cuff tears. J Bone Joint Surg Am. 2015;97(2):89-98.
- Kuhn JE, Dunn WR, Sanders R, et al. Effectiveness of physical therapy in treating atraumatic full-thickness rotator cuff tears: a multicenter prospective cohort study. J Shoulder Elbow Surg. 2013;22(10):1371-1379.


Deixe um comentário