Cirurgia do manguito rotador: como é o reparo e como é a recuperação

Cirurgia do manguito rotador: como é o reparo e como é a recuperação

Quando a lesão do manguito rotador causa perda de força, aconteceu depois de um trauma ou não melhorou com um tratamento conservador bem feito, o reparo cirúrgico passa a ser uma opção. Hoje, a maior parte dessas cirurgias é feita por artroscopia, com pequenos cortes e uma câmera.

O que é feito na cirurgia

O cirurgião libera as aderências ao redor do tendão, leva o tendão de volta ao ponto onde ele se prendia no osso e o fixa com pequenas âncoras e fios. Dependendo do formato e do tamanho da lesão, o tendão é fixado em uma ou duas fileiras. Quando o subescapular, o tendão da frente do ombro, também está lesionado, ele é tratado primeiro. Lesões do tendão do bíceps associadas costumam ser tratadas na mesma cirurgia.

O tendão vai cicatrizar?

A cirurgia coloca o tendão no lugar, mas quem faz a cicatrização é o organismo. Por isso, ela depende de alguns fatores:

  • idade: abaixo dos 55 anos, a grande maioria cicatriza; depois dos 65, a taxa cai bastante;
  • tamanho e retração da lesão: lesões maiores e mais retraídas cicatrizam pior;
  • qualidade do músculo: quando o músculo já foi muito substituído por gordura, o resultado é menos previsível;
  • saúde geral: tabagismo, diabetes e osteoporose aumentam o risco de falha.

Mesmo quando o tendão não cicatriza por completo, muitas pessoas ficam com menos dor e boa função. A força, porém, costuma ser melhor quando a cicatrização acontece.

Como é a recuperação

  • 0 a 6 semanas: tipoia com uma pequena almofada, exercícios de pêndulo e movimentos passivos orientados, para proteger o reparo.
  • 6 a 8 semanas: retirada da tipoia e início dos movimentos ativos, primeiro com ajuda e depois sozinho.
  • 3 a 6 meses: fortalecimento progressivo do manguito e da escápula.
  • 4 a 6 meses ou mais: retorno a esportes e trabalhos pesados, conforme a evolução.

Seguir as etapas com paciência é tão importante quanto a cirurgia. Forçar cedo demais aumenta o risco de o tendão romper de novo; ficar parado demais aumenta o risco de rigidez.

E quando a lesão não tem mais conserto?

Em lesões muito antigas e grandes, com músculo bastante degenerado, o tendão pode não ser mais reparável. Nesses casos existem outras soluções, como reparos parciais, reconstruções com enxerto e, quando a articulação já se desgastou, a prótese reversa de ombro, que devolve a capacidade de levantar o braço e alivia a dor.

Cada caso tem a sua melhor indicação, e ela deve ser construída em conjunto, com expectativas claras.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Dr. Fillipe Agra, Médico Ortopedista e Cirurgião do Ombro e Cotovelo, CRM/SP 201.962, RQE 144.556.

Referências

  1. Matsen FA III, Cordasco FA, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 6th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Cap. 52: Bedi A, Lee S. Evaluation of rotator cuff pathology. Cap. 56: Denard PJ, Hartzler RU, Elhassan BT. Approach to the irreparable cuff tear and failed cuff repair.
  2. Goutallier D, Postel JM, Bernageau J, Lavau L, Voisin MC. Fatty muscle degeneration in cuff ruptures: pre- and postoperative evaluation by CT scan. Clin Orthop Relat Res. 1994;(304):78-83.

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