Este post faz parte da série Anatomia do ombro, publicada às terças e sábados.
Quando falamos em “ombro”, parece que estamos falando de uma articulação só. Na verdade, o ombro é um complexo de quatro articulações que trabalham juntas, como engrenagens, para permitir que o braço alcance quase qualquer posição no espaço. É essa combinação que torna o ombro a região mais móvel do corpo e, ao mesmo tempo, uma das mais sujeitas a lesões. Este é o primeiro texto da série sobre anatomia do ombro.
Quais são os ossos do ombro?
Três ossos formam o ombro: a clavícula, que liga o braço ao tronco pela frente; a escápula, o osso triangular das costas, popularmente chamado de omoplata; e o úmero, o osso do braço, cuja parte de cima tem a forma de uma bola. O esterno, no centro do peito, e as costelas servem de apoio para esse conjunto.

As quatro articulações
- Glenoumeral: é a articulação principal, entre a cabeça do úmero e a glenoide, uma cavidade rasa da escápula. É a que as pessoas costumam chamar de “ombro”.
- Acromioclavicular: fica no alto do ombro, entre a ponta da clavícula e o acrômio, que é a parte mais alta da escápula. É a articulação que sofre nas quedas sobre o ombro.
- Esternoclavicular: une a clavícula ao esterno. É a única ligação feita por ossos entre o braço e o restante do esqueleto.
- Escapulotorácica: não é uma articulação verdadeira, com cartilagem e cápsula. É o deslizamento da escápula sobre a parede do tórax, controlado por músculos.
Como elas trabalham juntas?
Quando levantamos o braço, o movimento não acontece só entre o úmero e a glenoide. A escápula gira sobre o tórax, a clavícula se eleva e roda, e as pequenas articulações nas pontas da clavícula acompanham esse movimento. Estudos clássicos de biomecânica mostraram que, de forma geral, cerca de dois terços da elevação do braço acontecem na articulação glenoumeral e um terço no movimento da escápula. Essa parceria é chamada de ritmo escapuloumeral.
Estudos mais recentes, que mediram o movimento com sensores fixados nos ossos, confirmaram que a clavícula e a escápula participam ativamente de toda elevação do braço, e não só no final do movimento.
| Articulação | Tipo | Papel principal |
|---|---|---|
| Glenoumeral | Bola e cavidade | Maior parte do movimento do braço |
| Acromioclavicular | Plana | Ajusta a escápula durante o movimento |
| Esternoclavicular | Em sela | Pivô da clavícula sobre o tronco |
| Escapulotorácica | Funcional, sem cartilagem | Posiciona a escápula para o braço trabalhar |
Por que isso importa para quem tem dor?
Como as quatro articulações dependem umas das outras, um problema em uma delas costuma afetar as outras. Uma escápula que não se movimenta bem, por exemplo, pode sobrecarregar os tendões do manguito rotador. Uma lesão na acromioclavicular pode mudar a posição da escápula. Por isso, na consulta, o especialista examina o ombro como um todo, e a reabilitação quase sempre inclui exercícios para a escápula, e não só para o braço.
Perguntas frequentes
O ombro é formado por quatro articulações: glenoumeral, acromioclavicular, esternoclavicular e escapulotorácica. As três primeiras são articulações verdadeiras, e a escapulotorácica é o deslizamento da escápula sobre o tórax.
A glenoumeral é a responsável pela maior parte do movimento do braço, mas ela depende das outras três para funcionar bem. Por isso, todas são avaliadas quando há dor ou limitação.
É a coordenação entre o movimento do úmero e o da escápula quando levantamos o braço. De forma geral, para cada dois graus de movimento na glenoumeral, a escápula contribui com cerca de um grau.
Leia também: Como funciona o ombro: entenda a articulação mais móvel do corpo · Como é o exame do ombro na consulta com o especialista
Material complementar
Quer estudar a anatomia de forma visual? O Atlas 3D do Membro Superior cobre ombro, cotovelo e antebraço, com um modelo anatômico em 3D para explorar cada estrutura, um quiz para fixar o conteúdo e 44 testes clínicos do exame físico.
Tem dor ou limitação no ombro? Uma avaliação com especialista ajuda a entender qual estrutura está envolvida e o melhor tratamento.
Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.
Referências
- Inman VT, Saunders JB, Abbott LC. Observations of the function of the shoulder joint. 1944. Clin Orthop Relat Res. 1996;(330):3-12. PubMed
- Ludewig PM, Phadke V, Braman JP, Hassett DR, Cieminski CJ, LaPrade RF. Motion of the shoulder complex during multiplanar humeral elevation. J Bone Joint Surg Am. 2009;91(2):378-89. PubMed
- Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, editores. The Shoulder. 5ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2017. Capítulo 2: Anatomia.
- Standring S, editor. Gray’s Anatomy: The Anatomical Basis of Clinical Practice. 42ª ed. Elsevier; 2020.

