O Dia das Crianças costuma lembrar presentes. Mas, se você perguntar a um adulto o que ele guarda da infância, raramente a resposta é um brinquedo. Quase sempre é uma lembrança de tempo: o passeio de bicicleta, a partida de futebol no quintal, a história antes de dormir. Para quem trabalha com medicina, há outra camada nessa resposta: o tempo com os filhos também é saúde.
O exemplo ensina mais que a fala
O livro A tríade do tempo lembra que o que fica para os filhos é muito mais o exemplo que damos do que aquilo que dizemos. Uma criança que vê os pais se exercitando, dormindo bem e deixando o celular de lado no jantar aprende isso como parte natural da vida. Uma criança que vê os pais sempre correndo atrás de urgências aprende que essa é a regra.

Brincar é exercício
A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças e adolescentes façam, em média, pelo menos 60 minutos por dia de atividade física moderada a intensa, e que o tempo de tela para lazer seja limitado. Para os adultos, a recomendação é de 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada. Brincar junto é uma forma de cumprir as duas metas ao mesmo tempo: a criança se movimenta, e os pais também.
E o ortopedista, o que observa?
- Variedade: crianças que praticam vários esportes e brincadeiras desenvolvem melhor coordenação e força do que as que se especializam muito cedo em um único esporte;
- Descanso: dor que aparece sempre depois do treino, principalmente em ombro e cotovelo de quem arremessa ou nada, merece atenção;
- Quedas: fazem parte da infância, mas dor forte, inchaço ou dificuldade para mexer o braço depois de uma queda devem ser avaliados, porque o osso em crescimento tem características próprias.
Um presente que não se compra
Neste Dia das Crianças, a sugestão é simples: reserve um tempo sem pressa e sem tela para estar com seus filhos. Uma tarde no parque, uma bicicleta, uma bola, uma conversa. Não precisa ser perfeito, precisa ser presente. É um investimento no importante que faz bem para a saúde de todos.
Perguntas frequentes
A Organização Mundial da Saúde recomenda, em média, pelo menos 60 minutos por dia de atividade física moderada a intensa para crianças e adolescentes, incluindo atividades que fortaleçam músculos e ossos algumas vezes por semana.
Em geral, não. Praticar vários esportes e brincadeiras na infância ajuda no desenvolvimento motor e reduz o risco de lesões por sobrecarga. A especialização pode vir mais tarde, na adolescência.
Quando a dor aparece sempre depois do esporte, não melhora com descanso, acorda a criança à noite ou surge depois de uma queda com inchaço ou dificuldade para mexer o braço.
Leia também: Lesões no ombro das crianças: fraturas, luxações e o que muda no osso em crescimento · Plantão, cirurgia e família: como equilibrar a agenda de quem cuida dos outros
Seu filho sente dor no ombro ou no cotovelo depois do esporte? Uma avaliação ajuda a entender a causa e a manter a criança se movimentando com segurança.
Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.
Referências
- Barbosa C. A tríade do tempo. Rio de Janeiro: Sextante; 2012.
- Bull FC, Al-Ansari SS, Biddle S, Borodulin K, Buman MP, Cardon G, et al. World Health Organization 2020 guidelines on physical activity and sedentary behaviour. Br J Sports Med. 2020;54(24):1451-62. PubMed

