Crianças e adolescentes não são “adultos pequenos”, e isso vale muito para o ombro. Os ossos ainda têm placas de crescimento, regiões de cartilagem responsáveis pelo aumento do tamanho do osso. Essas placas são mais frágeis que os ligamentos ao redor e, por isso, as lesões nessa fase costumam acontecer nelas, e não nos ligamentos, como no adulto.
Um osso que se corrige sozinho
A placa de crescimento da parte de cima do úmero é responsável pela maior parte do crescimento do braço. Isso dá ao ombro da criança uma capacidade impressionante de remodelação: fraturas que consolidam com algum desvio tendem a se corrigir com o crescimento, principalmente nas crianças mais novas. Por isso, a grande maioria das fraturas infantis no ombro é tratada sem cirurgia.
Lesões mais comuns
- Fratura da clavícula: a mais frequente na infância, inclusive em recém-nascidos durante o parto. Consolida rapidamente e quase nunca precisa de cirurgia.
- Fratura do úmero proximal: comum em quedas e esportes, muitas vezes atravessando a placa de crescimento. Em adolescentes perto do fim do crescimento, desvios grandes podem precisar de correção.
- Lesões nas pontas da clavícula: o que parece uma luxação muitas vezes é uma lesão da placa de crescimento, com bom prognóstico.
- Luxação do ombro em adolescentes: tem alto risco de repetir, e o tratamento precisa ser discutido com atenção, principalmente em jovens esportistas.
O ombro do jovem atleta
Arremessadores jovens podem ter dor por sobrecarga na placa de crescimento do úmero, às vezes chamada de “ombro da liga juvenil”. O tratamento é repouso do arremesso, correção da técnica e controle do volume de treino.
Sinais que merecem avaliação
Criança que para de usar o braço, chora ao movimentar o ombro, tem febre com dor no ombro ou dor que persiste depois de uma queda deve ser avaliada. Em bebês e crianças pequenas, a infecção na articulação é uma emergência e pode se manifestar apenas como recusa em mexer o braço.
Com o diagnóstico correto, a maioria das lesões do ombro infantil tem ótima evolução.
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Dr. Fillipe Agra, Médico Ortopedista e Cirurgião do Ombro e Cotovelo, CRM/SP 201.962, RQE 144.556.
Referências
- Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 5th ed. Philadelphia: Elsevier; 2017. Cap. 12: Fraturas, luxações e condições adquiridas do ombro em crianças.


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