Frouxidão do ombro: sinal do sulco, translação e teste da gaveta

Frouxidão do ombro: sulco, translação e gaveta

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Este post faz parte da série Exame do ombro, publicada às quartas-feiras. Os testes descritos aqui são feitos pelo especialista durante a consulta e não devem ser usados para autodiagnóstico.

Todo ombro tem alguma folga. Ela é necessária para que o braço tenha tanto movimento. Mas a quantidade de folga varia muito entre as pessoas: algumas têm ombros firmes, outras têm ombros naturalmente soltos. Um conceito importante no exame é a diferença entre frouxidão e instabilidade. Frouxidão é a folga, que pode ser normal. Instabilidade é quando essa folga causa sintomas, como dor, insegurança ou a sensação de que o ombro sai do lugar.

Frouxidão generalizada

Antes de examinar o ombro, o especialista costuma avaliar se a pessoa tem frouxidão nas outras articulações. Para isso, existem escalas simples, que observam se o polegar encosta no antebraço, se os dedos dobram muito para trás, se os cotovelos e os joelhos passam do ponto e se a pessoa encosta as mãos no chão sem dobrar os joelhos. Uma das escalas mais usadas foi descrita em um estudo de 1973 e é usada até hoje. Pessoas com frouxidão generalizada tendem a ter instabilidade sem trauma e respondem melhor à fisioterapia.

Quadro com os testes de frouxidão do ombro: frouxidão geral, sinal do sulco, translação e gaveta
Frouxidão é a folga da articulação; instabilidade é quando essa folga causa sintomas.

Sinal do sulco

Com o paciente sentado e o braço relaxado ao lado do corpo, o médico puxa o braço para baixo. Se a cabeça do úmero desce e aparece um sulco logo abaixo do acrômio, o sinal é positivo. Ele é graduado pelo tamanho: cerca de 1 centímetro, 2 centímetros ou mais. O sinal foi descrito no estudo que apresentou a cirurgia de retensionamento da cápsula para a instabilidade em várias direções. Um sulco presente sem sintomas significa apenas frouxidão.

Teste de translação, ou load and shift

Com o paciente sentado ou deitado e o braço relaxado, o médico estabiliza a escápula com uma mão e, com a outra, comprime levemente a cabeça do úmero contra a glenoide e a desliza para a frente e para trás. Ele estima o quanto a cabeça se desloca em relação à glenoide e compara com o outro lado. O teste pode ser feito em várias posições do braço.

Teste da gaveta

Com o paciente deitado e o braço afastado do corpo, o médico segura a escápula e desloca a cabeça do úmero para a frente e para trás. O teste foi descrito em 1984, com uma graduação que ainda é usada: no grau 1, a cabeça vai até a borda da glenoide; no grau 2, passa da borda e volta sozinha; no grau 3, sai e não volta espontaneamente. Comparar com o outro ombro é essencial, porque a folga normal varia muito.

O que fazer com esses achados?

Os testes de frouxidão sozinhos não indicam cirurgia. Eles ajudam a classificar o tipo de instabilidade: por trauma, geralmente para um lado só, ou por frouxidão, muitas vezes em várias direções. Essa classificação orienta o tratamento, como foi revisado em um estudo clássico sobre o diagnóstico da instabilidade do ombro.

Perguntas frequentes

Ombro frouxo é doença?

Não necessariamente. Muitas pessoas têm ombros com bastante folga e nenhum sintoma. Só se fala em instabilidade quando essa folga causa dor, insegurança ou episódios de o ombro sair do lugar.

O que é o sinal do sulco?

É o aparecimento de um sulco logo abaixo do acrômio quando o braço relaxado é puxado para baixo. Indica frouxidão do ombro para baixo.

Frouxidão do ombro precisa de cirurgia?

Na maioria das vezes, não. A instabilidade por frouxidão costuma melhorar com fortalecimento e treino de controle do ombro. A cirurgia fica para quem não responde à reabilitação.

Leia também: Luxação posterior e instabilidade multidirecional · Exame físico do ombro: inspeção, palpação, amplitude de movimento e força

Tem dor ou insegurança no ombro? Uma avaliação com exame físico detalhado ajuda a chegar ao diagnóstico.


Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

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