Este post faz parte da série Exame do ombro, publicada às quartas-feiras. Os testes descritos aqui são feitos pelo especialista durante a consulta e não devem ser usados para autodiagnóstico.
Quando se fala em exame do ombro, muita gente pensa em testes com nomes complicados. Eles são importantes e vão aparecer nos próximos textos desta série. Mas o exame começa antes, com uma conversa cuidadosa e uma avaliação geral que, muitas vezes, já aponta o diagnóstico. Este é o primeiro texto da série sobre o exame físico do ombro.
A história conta muito
Algumas informações da conversa já ajudam a direcionar o raciocínio. Pessoas com dor do manguito rotador, por exemplo, costumam sentir alívio quando apoiam a mão sobre a cabeça. Sensação de que o ombro “sai” ou “fica solto” sugere instabilidade. Formigamento no braço pode vir do pescoço, mas também é comum na instabilidade do ombro. Fraqueza importante costuma estar ligada a lesões do manguito ou, mais raramente, a problemas nos nervos.
Inspeção: olhar os dois lados
O especialista observa os dois ombros, de frente e de costas, procurando assimetrias, atrofias musculares, deformidades e a posição da escápula. Uma escápula que se afasta da coluna pode indicar fraqueza do trapézio; uma ponta de baixo que se desloca para fora, fraqueza do serrátil anterior. Atrofia na parte de trás da escápula pode sugerir lesão do manguito ou do nervo supraescapular.

Palpação
A palpação procura pontos de dor que ajudam a localizar o problema: a articulação acromioclavicular, no alto do ombro; o sulco do bíceps, na frente; o tubérculo maior, onde se prende o supraespinal; o coracoide e a esternoclavicular.
Amplitude de movimento: ativa e passiva
O movimento é medido de duas formas. No ativo, o paciente levanta e gira o braço sozinho. No passivo, o médico move o braço com o paciente relaxado. A diferença entre os dois é muito informativa: se o movimento passivo é bom e o ativo é limitado, a causa costuma ser dor ou fraqueza, como numa lesão do manguito; se os dois estão limitados, pensa-se em rigidez da articulação, como no ombro congelado ou na artrose.
- Elevação: em geral perto de 160 a 180 graus;
- Rotação externa: com o braço junto ao corpo e com o braço afastado a 90 graus;
- Rotação interna: medida pela altura que o polegar alcança nas costas. Como referência, o ângulo de baixo da escápula fica na altura da vértebra T7.
Força
A força de cada grupo muscular é testada e sempre comparada com o lado sadio. É importante diferenciar a fraqueza verdadeira da fraqueza causada pela dor. Às vezes, uma infiltração com anestésico ajuda nessa diferença.
Não esquecer o pescoço
Como muitas dores no ombro vêm da coluna cervical, o exame inclui a avaliação do pescoço, da sensibilidade, dos reflexos e da circulação do braço. Uma revisão sistemática com meta-análise mostrou que nenhum teste isolado do ombro é perfeito, e que o diagnóstico depende da combinação da história, do exame e, quando necessário, dos exames de imagem.
Perguntas frequentes
Depende do caso, mas uma avaliação completa costuma levar alguns minutos e inclui conversa, observação, palpação, movimento, força e testes específicos.
Para comparar. Movimento, força e frouxidão variam muito entre as pessoas, e o lado sadio serve de referência para identificar o que está alterado.
Se você já tiver radiografias ou ressonâncias, leve. Mas o exame físico é a base do diagnóstico, e muitas vezes ele mesmo define quais exames serão necessários.
Leia também: Como é o exame do ombro na consulta com o especialista · Dor no ombro ou coluna cervical?
Tem dor ou insegurança no ombro? Uma avaliação com exame físico detalhado ajuda a chegar ao diagnóstico.
Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.
Referências
- Hegedus EJ, Goode AP, Cook CE, Michener L, Myer CA, Myer DM, et al. Which physical examination tests provide clinicians with the most value when examining the shoulder? Update of a systematic review with meta-analysis of individual tests. Br J Sports Med. 2012;46(14):964-78. PubMed
- Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, editores. The Shoulder. 5ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2017. Capítulo 3: Exame físico.

