Exame físico do ombro: inspeção, palpação, amplitude de movimento e força

Exame físico do ombro: o que o especialista observa

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Este post faz parte da série Exame do ombro, publicada às quartas-feiras. Os testes descritos aqui são feitos pelo especialista durante a consulta e não devem ser usados para autodiagnóstico.

Quando se fala em exame do ombro, muita gente pensa em testes com nomes complicados. Eles são importantes e vão aparecer nos próximos textos desta série. Mas o exame começa antes, com uma conversa cuidadosa e uma avaliação geral que, muitas vezes, já aponta o diagnóstico. Este é o primeiro texto da série sobre o exame físico do ombro.

A história conta muito

Algumas informações da conversa já ajudam a direcionar o raciocínio. Pessoas com dor do manguito rotador, por exemplo, costumam sentir alívio quando apoiam a mão sobre a cabeça. Sensação de que o ombro “sai” ou “fica solto” sugere instabilidade. Formigamento no braço pode vir do pescoço, mas também é comum na instabilidade do ombro. Fraqueza importante costuma estar ligada a lesões do manguito ou, mais raramente, a problemas nos nervos.

Inspeção: olhar os dois lados

O especialista observa os dois ombros, de frente e de costas, procurando assimetrias, atrofias musculares, deformidades e a posição da escápula. Uma escápula que se afasta da coluna pode indicar fraqueza do trapézio; uma ponta de baixo que se desloca para fora, fraqueza do serrátil anterior. Atrofia na parte de trás da escápula pode sugerir lesão do manguito ou do nervo supraescapular.

Quadro com as seis etapas do exame físico do ombro
Os testes especiais só fazem sentido depois dessa avaliação geral.

Palpação

A palpação procura pontos de dor que ajudam a localizar o problema: a articulação acromioclavicular, no alto do ombro; o sulco do bíceps, na frente; o tubérculo maior, onde se prende o supraespinal; o coracoide e a esternoclavicular.

Amplitude de movimento: ativa e passiva

O movimento é medido de duas formas. No ativo, o paciente levanta e gira o braço sozinho. No passivo, o médico move o braço com o paciente relaxado. A diferença entre os dois é muito informativa: se o movimento passivo é bom e o ativo é limitado, a causa costuma ser dor ou fraqueza, como numa lesão do manguito; se os dois estão limitados, pensa-se em rigidez da articulação, como no ombro congelado ou na artrose.

  • Elevação: em geral perto de 160 a 180 graus;
  • Rotação externa: com o braço junto ao corpo e com o braço afastado a 90 graus;
  • Rotação interna: medida pela altura que o polegar alcança nas costas. Como referência, o ângulo de baixo da escápula fica na altura da vértebra T7.

Força

A força de cada grupo muscular é testada e sempre comparada com o lado sadio. É importante diferenciar a fraqueza verdadeira da fraqueza causada pela dor. Às vezes, uma infiltração com anestésico ajuda nessa diferença.

Não esquecer o pescoço

Como muitas dores no ombro vêm da coluna cervical, o exame inclui a avaliação do pescoço, da sensibilidade, dos reflexos e da circulação do braço. Uma revisão sistemática com meta-análise mostrou que nenhum teste isolado do ombro é perfeito, e que o diagnóstico depende da combinação da história, do exame e, quando necessário, dos exames de imagem.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura o exame do ombro?

Depende do caso, mas uma avaliação completa costuma levar alguns minutos e inclui conversa, observação, palpação, movimento, força e testes específicos.

Por que o médico examina os dois ombros?

Para comparar. Movimento, força e frouxidão variam muito entre as pessoas, e o lado sadio serve de referência para identificar o que está alterado.

Preciso levar exames na consulta?

Se você já tiver radiografias ou ressonâncias, leve. Mas o exame físico é a base do diagnóstico, e muitas vezes ele mesmo define quais exames serão necessários.

Leia também: Como é o exame do ombro na consulta com o especialista · Dor no ombro ou coluna cervical?

Tem dor ou insegurança no ombro? Uma avaliação com exame físico detalhado ajuda a chegar ao diagnóstico.


Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Hegedus EJ, Goode AP, Cook CE, Michener L, Myer CA, Myer DM, et al. Which physical examination tests provide clinicians with the most value when examining the shoulder? Update of a systematic review with meta-analysis of individual tests. Br J Sports Med. 2012;46(14):964-78. PubMed
  2. Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, editores. The Shoulder. 5ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2017. Capítulo 3: Exame físico.