Este post faz parte da série Exame do ombro, publicada às quartas-feiras. Os testes descritos aqui são feitos pelo especialista durante a consulta e não devem ser usados para autodiagnóstico.
A instabilidade anterior, quando o ombro tende a sair para a frente, é o tipo mais comum. Para avaliá-la, o especialista usa três testes feitos em sequência, com o paciente deitado: apreensão, recolocação e surpresa. Eles reproduzem, de forma controlada, a posição em que o ombro costuma sair.
Teste de apreensão
Com o paciente deitado e o braço afastado do corpo a 90 graus, o médico gira o braço para fora devagar. Em quem tem instabilidade anterior, chega um momento em que o paciente sente que o ombro vai sair, fica tenso, tenta impedir o movimento ou demonstra medo. Isso é a apreensão. Um estudo clássico sobre subluxação do ombro já descrevia esse sinal em pacientes com a chamada “síndrome do braço morto”, comum em atletas de arremesso.
Um detalhe importante: o que conta é a sensação de que o ombro vai sair, e não apenas a dor. Estudos que avaliaram esses testes mostraram que a dor sozinha é um indicador fraco de instabilidade, enquanto a apreensão é bem mais confiável.

Teste de recolocação
Na mesma posição, o médico coloca a mão na frente do ombro e empurra a cabeça do úmero para trás, para dentro da glenoide. Se a apreensão diminui e o paciente aceita girar mais o braço, o teste é positivo. Ele foi descrito em atletas de arremesso e ajuda a confirmar que a sensação vem da instabilidade.
Teste da surpresa
Logo depois, com o braço ainda girado para fora, o médico retira de repente a mão que segurava a cabeça do úmero. Se a apreensão volta, ou piora, o teste é positivo. Um estudo de 1997 descreveu esse teste como uma forma de identificar instabilidades sutis.
Qual teste é melhor?
Dois estudos que compararam os testes em pacientes que depois foram operados mostraram que, quando o critério é a apreensão e não a dor, os três têm boa capacidade de identificar a instabilidade anterior. O teste da surpresa costuma ser apontado como um dos mais precisos, o de recolocação como o mais sensível, e a gaveta anterior como um dos mais específicos. Usados em conjunto, eles aumentam a segurança do diagnóstico.
E depois do exame?
Se os testes indicam instabilidade, o próximo passo costuma ser a ressonância, para avaliar o lábrum e os ligamentos, e às vezes a tomografia, para medir a perda óssea. Esses dados, junto com a idade e o esporte, orientam a escolha entre reabilitação e cirurgia.
Perguntas frequentes
Pode causar desconforto, mas o médico faz o movimento devagar e para assim que o paciente sente insegurança. O objetivo é reproduzir a sensação de instabilidade, não provocar uma luxação.
Não necessariamente. A dor pode aparecer por outras causas, como tendinite. O que mais indica instabilidade é a sensação de que o ombro vai sair.
Não. Eles mostram se existe instabilidade. A ressonância mostra quais estruturas estão lesionadas, o que ajuda a planejar o tratamento.
Leia também: Lesão do labrum e luxação do ombro · Frouxidão do ombro: sinal do sulco, translação e teste da gaveta
Tem dor ou insegurança no ombro? Uma avaliação com exame físico detalhado ajuda a chegar ao diagnóstico.
Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.
Referências
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- Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, editores. The Shoulder. 5ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2017. Capítulo 3: Exame físico.

