Cotovelo de tenista: PRP ou infiltração de corticoide? O que mostra uma revisão de 2025

Cotovelo de tenista: PRP ou corticoide? O que mostram os estudos

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Quem tem cotovelo de tenista e não melhora com repouso e fisioterapia costuma ouvir falar de duas infiltrações: a de corticoide e a de PRP, o plasma rico em plaquetas. A dúvida no consultório é sempre a mesma: qual delas funciona melhor? Uma revisão publicada em 2025, que reuniu dezenas de estudos comparando as duas, ajuda a responder. O resumo é que o corticoide alivia mais rápido, mas o PRP tende a ter resultado melhor e mais duradouro a partir do terceiro mês.

O que é o cotovelo de tenista?

O cotovelo de tenista, ou epicondilite lateral, é uma lesão por sobrecarga do tendão que se prende na parte de fora do cotovelo. Apesar do nome, a maioria dos pacientes não joga tênis. A dor aparece ao segurar objetos, apertar a mão, levantar uma xícara ou digitar por muito tempo. Mais do que uma inflamação, o que existe na maioria dos casos é um desgaste do tendão, que perde a sua organização normal.

Como funcionam as duas infiltrações?

  • Corticoide: é um anti-inflamatório potente, geralmente aplicado junto com um anestésico. Costuma aliviar a dor em poucos dias. O problema é que ele não trata o desgaste do tendão e, em aplicações repetidas, pode até enfraquecê-lo.
  • PRP: uma pequena quantidade do sangue do próprio paciente é coletada e processada para concentrar as plaquetas, que são ricas em fatores de crescimento. A ideia é estimular o processo de reparo do tendão. Por ser feito com o sangue do próprio paciente, não causa rejeição.

O que a revisão de 2025 comparou?

Os pesquisadores reuniram 27 ensaios clínicos randomizados, o tipo de estudo mais confiável para comparar tratamentos, com cerca de 1.800 pacientes no total. Foram analisados quatro tipos de tendinopatia: manguito rotador no ombro, epicondilite lateral no cotovelo, fascite plantar no pé e tenossinovite. Sete desses estudos avaliaram o cotovelo de tenista. Em todos eles, um grupo recebeu PRP e o outro recebeu corticoide, e os pacientes foram acompanhados ao longo de meses.

O que aconteceu com quem tinha cotovelo de tenista?

  • No primeiro mês: quem recebeu corticoide teve melhor função do braço. É o efeito rápido que se espera do anti-inflamatório.
  • Aos três meses: o jogo virou. O grupo do PRP tinha menos dor e melhor função nas atividades do dia a dia, medida por um questionário específico para braço, ombro e mão.
  • Aos doze meses: a vantagem do PRP se manteve, tanto na dor quanto na função.
  • Segurança: efeitos adversos foram pouco frequentes nos dois grupos, e um pouco menos comuns com o PRP.
MomentoCorticoidePRP
1º mêsAlívio mais rápido, melhor funçãoMelhora mais lenta
3 mesesEfeito começa a diminuirMenos dor e melhor função
12 mesesResultado inferiorVantagem mantida em dor e função

Quais são os limites desses estudos?

Os resultados são animadores, mas é preciso cuidado ao interpretá-los. Os estudos incluídos eram pequenos, com 15 a 60 pacientes por grupo. A forma de preparar o PRP variou bastante entre eles, com volumes de sangue, centrífugas e concentrações de plaquetas diferentes, o que dificulta saber qual preparo funciona melhor. E poucos estudos acompanharam os pacientes por um ano ou mais. Os próprios autores concluem que ainda são necessários estudos maiores e mais longos.

O que isso significa na prática?

Pela Resolução CFM nº 2.464/2026, a epicondilite lateral é uma das quatro condições em que o PRP está autorizado no Brasil, como tratamento complementar. Isso quer dizer que ele não é a primeira etapa e não substitui o tratamento de base.

  • A maioria das pessoas com cotovelo de tenista melhora com ajuste de atividades, fisioterapia e exercícios de fortalecimento do tendão, sem nenhuma infiltração.
  • O corticoide pode ser útil para controlar uma crise forte de dor, mas o alívio costuma ser passageiro e aplicações repetidas pedem cautela.
  • O PRP pode fazer sentido para quem já fez o tratamento conservador bem feito e continua com dor, sabendo que a melhora é gradual e aparece ao longo de semanas a meses.
  • Nenhuma infiltração funciona sozinha. O fortalecimento e a correção do que sobrecarrega o tendão continuam sendo parte central do tratamento.

Quando procurar avaliação?

Procure um ortopedista se a dor na parte de fora do cotovelo dura mais de algumas semanas, atrapalha o trabalho ou atividades simples como segurar uma garrafa, ou se você está considerando uma infiltração. A consulta serve para confirmar o diagnóstico, descartar outras causas de dor, como problemas de nervo ou da coluna cervical, e montar um plano realista para o seu caso.

Perguntas frequentes

O PRP cura o cotovelo de tenista?

O PRP não é promessa de cura. Nos estudos, ele teve resultado melhor que o corticoide a partir do terceiro mês, mas funciona como tratamento complementar, junto com fortalecimento e ajuste de atividades.

A infiltração de corticoide no cotovelo faz mal?

Uma aplicação bem indicada costuma ser segura e alivia a dor rapidamente. O cuidado é com aplicações repetidas, que podem enfraquecer o tendão e a pele da região. Por isso o corticoide não deve ser o tratamento principal.

Em quanto tempo o PRP começa a fazer efeito?

A melhora é gradual. Nos estudos, a vantagem do PRP sobre o corticoide apareceu por volta do terceiro mês e se manteve até doze meses. Nas primeiras semanas, é normal ainda sentir dor.

Leia também: Cotovelo de tenista (epicondilite lateral): sintomas, testes e tratamento · PRP funciona ou é modinha? O que mudou com a nova resolução do CFM

Tem dor no cotovelo e quer saber se uma infiltração faz sentido no seu caso? Uma avaliação individual ajuda a escolher o tratamento com base no seu exame e nas evidências.


Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Ye Z, Yuan Y, Kuang G, Qiu L, Tan X, Wen Z, et al. Platelet-rich plasma and corticosteroid injection for tendinopathy: a systematic review and meta-analysis. BMC Musculoskelet Disord. 2025;26:339. DOI
  2. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.464/2026. Regulamenta o uso de plasma rico em plaquetas (PRP) em condições osteomusculares específicas. Em vigor desde 15 de julho de 2026.