O que a medicina me ensinou sobre o tempo: o urgente quase sempre foi um importante esquecido

O urgente quase sempre foi um importante esquecido

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Quem trabalha em pronto-socorro aprende cedo uma lição que vale para muito além do hospital. Boa parte das urgências que chegam não começou como urgência. Começou como uma dor no ombro que foi deixada para depois, um exame que ficou para o mês seguinte, um sintoma que “não era nada”. O tempo passou, e o que era importante virou urgente. Com a nossa vida pessoal acontece algo muito parecido.

Importante, urgente e circunstancial

No livro A tríade do tempo, o autor propõe dividir tudo o que fazemos em três esferas. O importante é aquilo que tem significado para nós e traz resultado ao longo do tempo. O urgente é o que surge de repente, com prazo curto, e quase sempre vem acompanhado de pressão. O circunstancial é o que ocupa o nosso tempo sem trazer resultado real. A proposta é simples: quanto mais tempo dedicamos ao importante, menos o urgente toma conta da agenda.

Quadro com as três esferas do tempo: importante, urgente e circunstancial
A ideia é aumentar o tempo no importante para que o urgente apareça cada vez menos.

Na medicina, a lógica é a mesma

No consultório, vejo isso todos os dias. A pessoa que fortalece o ombro com constância, cuida do peso, dorme bem e procura avaliação quando a dor começa está investindo no importante. A que espera a dor ficar insuportável muitas vezes chega numa situação urgente, com menos opções de tratamento. Não é uma questão de culpa. É uma questão de como a rotina vai empurrando o que importa para depois.

O mesmo vale para quem cuida. A vida médica tem urgências de verdade: um paciente que precisa ser operado, um plantão que se estende, um telefonema no meio da noite. Elas fazem parte da profissão. Mas, se todo o tempo restante também for tomado por urgências, o que fica de fora costuma ser exatamente o que mais importa.

E a família nessa conta?

A família quase nunca é urgente. Ela não liga cobrando prazo, não manda alerta no celular. Um jantar sem pressa, uma conversa com o filho, o fim de semana sem trabalho parecem sempre poder esperar. E é justamente por isso que acabam ficando para depois. O livro faz uma provocação que vale para todos nós: o tempo não volta, e as pessoas que amamos não vão esperar para sempre.

Três atitudes simples para começar

  • Coloque o importante na agenda antes do resto: a consulta de rotina, o exercício, o horário com a família. O que está na agenda costuma acontecer;
  • Pergunte de onde veio cada urgência: muitas poderiam ter sido evitadas com um pouco de antecedência;
  • Corte um circunstancial por semana: o tempo que sobra pode ir para algo que realmente faz diferença.

Na medicina, aprendemos que prevenção é o melhor tratamento. Com o tempo é igual: cuidar do importante hoje é o que evita a urgência de amanhã.

Perguntas frequentes

O que é a tríade do tempo?

É uma forma de organizar a rotina proposta no livro A tríade do tempo. Ela divide as atividades em importantes, urgentes e circunstanciais, com o objetivo de dedicar mais tempo ao que é importante e reduzir as urgências.

Qual a relação entre tempo e saúde?

Muitos problemas de saúde ficam mais difíceis de tratar quando são adiados. Reservar tempo para exercício, sono, alimentação e consultas de rotina é uma forma de evitar que algo importante se transforme em urgência.

Como incluir a família na agenda?

Tratando o tempo com a família como um compromisso. Marcar na agenda o jantar, o passeio ou a atividade com os filhos, da mesma forma que se marca uma reunião, aumenta muito a chance de ele acontecer.

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Tem uma dor no ombro ou no cotovelo que está sempre ficando para depois? Cuidar dela agora pode evitar uma urgência mais à frente.


Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Barbosa C. A tríade do tempo. Rio de Janeiro: Sextante; 2012.