Depois que o ombro sai do lugar pela primeira vez e é recolocado, surge a grande dúvida: fazer fisioterapia e voltar à vida normal, ou já operar? A resposta depende principalmente do risco de o ombro sair de novo, e esse risco varia muito de pessoa para pessoa.
A idade é o fator que mais pesa
Quanto mais jovem, maior a chance de nova luxação. Em pessoas abaixo dos 20 anos, especialmente homens que praticam esportes de contato como rúgbi, futebol, lutas e handebol, a recidiva sem cirurgia é muito alta. Depois dos 30 ou 40 anos, ela cai bastante. Por outro lado, depois dos 40, a luxação costuma vir acompanhada de lesão do manguito rotador, e qualquer fraqueza que dure mais de três semanas deve ser investigada.
Cada luxação custa osso
Quando o ombro sai, a borda da glenoide pode sofrer pequenas fraturas, e a cabeça do úmero pode ganhar um afundamento. Depois da primeira luxação, a perda de osso costuma ser pequena; depois de várias, ela pode aumentar bastante. E é a quantidade de osso perdido que define qual cirurgia vai funcionar. Por isso, nos pacientes de alto risco, esperar várias luxações pode transformar um caso simples em um caso complexo.
Como é feita a avaliação
- exame dos nervos e da circulação do braço e três radiografias diferentes do ombro;
- ressonância magnética para avaliar o lábio, os ligamentos e o manguito;
- tomografia, nos casos com várias luxações ou suspeita de perda óssea, para medir exatamente quanto osso foi perdido.
Tratamento sem cirurgia
Após a redução, usa-se uma tipoia por um período curto, seguida de reabilitação para recuperar o movimento e fortalecer o manguito e a musculatura da escápula. O retorno ao esporte é feito por critérios, quando o movimento está completo, a força normal e a confiança no gesto esportivo recuperada.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia é considerada em jovens de alto risco, já após a primeira luxação, e em quem teve mais de um episódio. Com pouca perda óssea, o reparo do lábio e dos ligamentos por artroscopia costuma resolver. Quando há perda óssea intermediária, ele pode ser combinado com outras técnicas. Com perda óssea grande, é preciso reconstruir o osso da glenoide, geralmente transferindo um pequeno bloco de osso da própria escápula.
O retorno ao esporte depois da cirurgia leva, em média, de 4 a 6 meses. Em atletas, a melhor época para operar pode ser combinada com o calendário da temporada.
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Dr. Fillipe Agra, Médico Ortopedista e Cirurgião do Ombro e Cotovelo, CRM/SP 201.962, RQE 144.556.
Referências
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