Um paciente de 33 anos, com dor lombar irradiando para a perna direita. Em pouco tempo, ele começou a perder força, a perder sensibilidade e a ter sintomas urinários. O que pode ser?
Era síndrome da cauda equina, causada por uma hérnia de disco extrusa e volumosa. É uma das poucas emergências de verdade entre as dores nas costas.
O que é a síndrome da cauda equina?
No fim da coluna, a medula dá lugar a um feixe de raízes nervosas que lembra uma cauda de cavalo. Daí o nome. Essas raízes comandam a força e a sensibilidade das pernas, além do controle da bexiga, do intestino e da função sexual.
A síndrome acontece quando esse feixe é comprimido de forma importante. A causa mais comum é uma grande hérnia de disco lombar.
Quais são os sinais de alerta?
- Dificuldade para urinar, perda do jato, retenção ou perda de urina.
- Perda do controle do intestino.
- Dormência na região íntima, no períneo e na parte interna das coxas, a chamada anestesia em sela.
- Perda de força nas pernas, que piora em horas ou dias.
- Dor ciática intensa, às vezes nas duas pernas.
- Alteração da função sexual.
Nem todos aparecem juntos. A combinação de dor lombar com qualquer alteração urinária ou dormência na região íntima já é motivo para ir ao pronto-socorro.
Por que é uma emergência?
Nervo comprimido por muito tempo pode não se recuperar. Quanto mais rápida a descompressão, maior a chance de recuperar a força e, principalmente, o controle da bexiga e do intestino.
Por isso, a conduta não é marcar consulta para a semana seguinte. É procurar um serviço de emergência no mesmo dia.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O exame físico avalia força, sensibilidade e reflexos. A ressonância magnética da coluna lombar, feita com urgência, confirma a compressão.
O tratamento é cirúrgico: a descompressão das raízes, com a retirada do fragmento de disco, feita pela equipe de cirurgia de coluna.
Como evoluiu o paciente?
Ele foi operado e acordou da cirurgia já andando. A sensibilidade começou a voltar, e a queimação que tomava a perna inteira cedeu. Nas palavras dele, o principal foi voltar a controlar a urina.
A etapa seguinte é fisioterapia, reabilitação e uma rotina de atividade física que proteja a coluna.
Toda hérnia de disco vira cauda equina?
Não. A síndrome é rara. A grande maioria das hérnias de disco melhora com tratamento conservador, sem cirurgia. O que este caso ensina é reconhecer os poucos sinais que mudam tudo.
Perguntas frequentes
A dor, sozinha, não. O alerta vem das alterações urinárias ou intestinais, da dormência na região íntima e da perda de força.
O atendimento inicial é no pronto-socorro. A cirurgia é feita por cirurgião de coluna, ortopedista ou neurocirurgião.
Depende do tempo de compressão e da gravidade. Quanto mais cedo o tratamento, melhor o resultado.
Leia também: Dor no ombro ou coluna cervical? Como saber de onde vem a dor
Está com esses sintomas agora? Não agende consulta: procure um pronto-socorro.
Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.
Referências
- Ahn UM, Ahn NU, Buchowski JM, et al. Cauda equina syndrome secondary to lumbar disc herniation: a meta-analysis of surgical outcomes. Spine (Phila Pa 1976). 2000;25(12):1515-1522.


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