Este post faz parte da série Anatomia do ombro, publicada às terças e sábados.
Na base do pescoço, de cada lado do esterno, fica a articulação esternoclavicular. É ali que a clavícula se apoia no tronco, e essa é a única ligação feita por ossos entre o braço e o restante do esqueleto. Todo o ombro, de certa forma, fica pendurado nessa articulação e gira em torno dela.
Como ela é formada?
A extremidade de dentro da clavícula é bem maior que o encaixe no esterno, e fica em grande parte acima dele. Por isso, quase não há estabilidade vinda dos ossos. Entre as superfícies existe um disco de fibrocartilagem, que funciona como amortecedor e ajuda a ajustar o encaixe. Na maioria das pessoas, ele se prende embaixo na primeira costela e em cima na clavícula.

Os ligamentos que seguram a articulação
- Ligamentos capsulares anterior e posterior: reforçam a cápsula. O posterior é o mais forte de todos;
- Ligamento interclavicular: passa por cima do esterno, unindo as duas clavículas, e não existe em parte das pessoas;
- Ligamento costoclavicular: prende a parte de baixo da clavícula na primeira costela e funciona como um eixo para os movimentos.
Um estudo biomecânico mostrou que a cápsula posterior é o principal estabilizador da articulação, tanto para o deslocamento para a frente quanto para trás. Isso tem importância prática, porque é essa a estrutura que precisa ser reconstruída quando a articulação fica instável.
Quanto ela se movimenta?
Apesar de pequena, a esternoclavicular se movimenta bastante. Durante a elevação completa do braço, a clavícula sobe cerca de 30 a 35 graus, avança e recua cerca de 35 graus e gira em torno do próprio eixo entre 44 e 50 graus. A maior parte da elevação acontece entre 30 e 90 graus de elevação do braço, e a rotação da clavícula aparece depois de 70 a 80 graus.
Por que as lesões pedem atenção?
As lesões da esternoclavicular são raras, porque é preciso muita força para deslocá-la. O deslocamento para a frente é o mais comum e geralmente menos grave. O deslocamento para trás é mais raro, mas é uma situação séria: logo atrás da articulação passam grandes vasos, a traqueia e o esôfago. Falta de ar, dificuldade para engolir ou alteração da circulação do braço depois de um trauma nessa região exigem atendimento imediato.
Em pessoas com menos de 25 anos, muitas dessas lesões são, na verdade, separações da placa de crescimento da clavícula, que é a última do corpo a se fechar. Nesses casos, a tomografia é o exame mais útil para o diagnóstico.
Perguntas frequentes
Na base do pescoço, onde a clavícula encontra o esterno. Dá para sentir a saliência de cada lado do osso do meio do peito.
O deslocamento para a frente costuma ser menos grave. O deslocamento para trás pode comprimir vasos, traqueia e esôfago e é uma emergência.
A tomografia é o exame que melhor mostra a posição da clavícula em relação ao esterno e às estruturas que ficam atrás dela.
Leia também: Lesões da articulação esternoclavicular: quando a dor está na base do pescoço · Articulação acromioclavicular: os ligamentos que seguram a clavícula
Material complementar
Quer estudar a anatomia de forma visual? O Atlas 3D do Membro Superior cobre ombro, cotovelo e antebraço, com um modelo anatômico em 3D para explorar cada estrutura, um quiz para fixar o conteúdo e 44 testes clínicos do exame físico.
Tem dor ou limitação no ombro? Uma avaliação com especialista ajuda a entender qual estrutura está envolvida e o melhor tratamento.
Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.
Referências
- Spencer EE Jr, Kuhn JE, Huston LJ, Carpenter JE, Hughes RE. Ligamentous restraints to anterior and posterior translation of the sternoclavicular joint. J Shoulder Elbow Surg. 2002;11(1):43-7. PubMed
- Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, editores. The Shoulder. 5ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2017. Capítulo 2: Anatomia.
- Standring S, editor. Gray’s Anatomy: The Anatomical Basis of Clinical Practice. 42ª ed. Elsevier; 2020.

