Luxação acromioclavicular no atleta: quando operar e quando voltar a treinar

Luxação acromioclavicular no atleta: quando operar e quando voltar a treinar

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A luxação acromioclavicular, o famoso “ombro separado”, é uma lesão típica do homem jovem e ativo. Acontece com uma queda direta sobre a ponta do ombro, com o braço junto ao corpo: uma projeção no judô, uma queda de bicicleta, um choque no futebol. Em competições de judô, a articulação acromioclavicular é uma das mais atingidas por entorses.

Dois planos de estabilidade

A clavícula é presa à escápula por dois grupos de ligamentos. Os ligamentos ao redor da própria articulação controlam o movimento para a frente e para trás. Os ligamentos que ligam a clavícula ao processo coracoide controlam o movimento para cima e para baixo. Quando todos se rompem, a clavícula sobe e aparece o “degrau” no ombro. Um bom exame avalia os dois planos, e não apenas o degrau visível.

Os graus da lesão

  • Leves (graus I e II): estiramento ou ruptura parcial. Tratamento sem cirurgia e retorno ao esporte em poucos dias a semanas.
  • Intermediária (grau III): ruptura completa, com a clavícula elevada. É aqui que mora a dúvida.
  • Graves (graus IV a VI): a clavícula se desloca para trás, para muito alto ou para baixo. Em geral, cirurgia.

Grau III: a escápula decide

Nem toda lesão grau III é igual. A recomendação atual é começar com tratamento conservador e reexaminar entre 3 e 6 semanas. Nesse retorno, o especialista avalia a dor, a estabilidade da clavícula para a frente e para trás e, principalmente, o movimento da escápula. Quem tem a escápula funcionando bem costuma evoluir muito bem sem cirurgia. Quem mantém dor, instabilidade e alteração no movimento da escápula, apesar da reabilitação, tende a se beneficiar da cirurgia.

O que dizem os estudos

Nas lesões intermediárias e algumas graves, os estudos mostram que quem não operou recupera a função mais rápido nos primeiros meses, e que, depois de um ano, os resultados de quem operou e de quem não operou tendem a se igualar. Por isso, operar na primeira semana não acelera o retorno ao esporte na maioria dos casos.

Cirurgia e retorno

Quando indicada, a cirurgia pode ser feita com dispositivos de fixação por técnicas minimamente invasivas nas lesões recentes ou com reconstrução dos ligamentos com enxerto nas lesões antigas. Algum grau de “subida” da clavícula na radiografia depois da cirurgia é comum e, sozinho, não significa falha.

O retorno ao contato e à competição costuma acontecer entre 4 e 6 meses após a cirurgia, mas deve ser guiado por critérios, como movimento completo, força recuperada e controle da escápula, e não apenas pelo calendário.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Dr. Fillipe Agra, Médico Ortopedista e Cirurgião do Ombro e Cotovelo, CRM/SP 201.962, RQE 144.556.

Referências

  1. Matsen FA III, Cordasco FA, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 6th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Cap. 20: Articulação acromioclavicular.

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