Hill-Sachs e perda óssea da glenoide: o que significam no seu laudo

Hill-Sachs e perda óssea da glenoide: o que significam

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Quem teve luxação do ombro e fez ressonância ou tomografia muitas vezes encontra no laudo termos como “lesão de Hill-Sachs” ou “Bankart ósseo”. Eles descrevem perdas de osso que acontecem quando o ombro sai do lugar. Entender o que significam ajuda a compreender por que alguns ombros continuam saindo e por que o tipo de cirurgia muda de pessoa para pessoa.

O que é a lesão de Hill-Sachs?

Quando o ombro sai para a frente, a parte de trás da cabeça do úmero bate com força contra a borda da frente da glenoide. Esse impacto causa um afundamento no osso da cabeça, como um amassado. Esse defeito é a lesão de Hill-Sachs. Ela é muito comum: aparece na maioria das pessoas que já tiveram luxação, e tende a aumentar a cada novo episódio.

O que é o Bankart ósseo e a perda óssea da glenoide?

A lesão de Bankart clássica é o descolamento do lábrum da borda da glenoide. Às vezes, junto com o lábrum, sai também um fragmento de osso. Isso é o Bankart ósseo. Em pessoas com várias luxações, a borda da frente da glenoide também vai se desgastando, e o encaixe, que tem formato de pera, fica mais estreito embaixo.

Ilustração da perda óssea na borda da glenoide e da lesão de Hill-Sachs na cabeça do úmero
A perda de osso pode acontecer dos dois lados da articulação: na borda da glenoide e na parte de trás da cabeça do úmero.

Por que a perda de osso é tão importante?

O encaixe da glenoide funciona como um prato raso que segura a bola do úmero. Estudos de biomecânica mostram que perdas a partir de cerca de 20% da borda da frente já reduzem bastante a força necessária para o ombro sair. Quando falta osso, reparar apenas o lábrum pode não ser suficiente.

Um estudo clássico mostrou que a falha da cirurgia de Bankart por artroscopia era muito maior em ombros com perda óssea importante da glenoide ou com lesão de Hill-Sachs grande, capaz de “engatar” na borda da glenoide durante o movimento.

O que é o conceito de “trilho da glenoide”?

Hoje, o especialista avalia as duas perdas em conjunto. A ideia do trilho da glenoide é simples: durante o movimento do braço, a cabeça do úmero desliza sobre a glenoide numa faixa de contato. Se a lesão de Hill-Sachs fica dentro dessa faixa, ela está “no trilho” e não engata. Se fica fora, por ser grande ou porque a glenoide está estreita, ela pode cair para fora da borda e o ombro sai. Esse cálculo é feito com tomografia ou ressonância e ajuda a escolher a cirurgia.

Como isso muda o tratamento?

  • Pouca perda óssea: o reparo do lábrum por artroscopia costuma ser suficiente;
  • Hill-Sachs que fica fora do trilho: pode ser associado o remplissage, que preenche o defeito da cabeça com tendão;
  • Perda importante da glenoide: costuma ser indicada uma cirurgia que repõe osso, como a de Latarjet.

Perguntas frequentes

Toda lesão de Hill-Sachs precisa de cirurgia?

Não. Muitas são pequenas e não interferem na estabilidade. O que importa é o tamanho da lesão em relação à glenoide e se ela engata na borda durante o movimento.

Qual exame mostra melhor a perda óssea?

A tomografia, de preferência com reconstrução em 3D, é o exame que mede a perda óssea com mais precisão. A ressonância também ajuda e mostra as lesões de partes moles, como o lábrum.

A perda de osso aumenta se o ombro continuar saindo?

Sim. Cada nova luxação pode desgastar mais a borda da glenoide e aumentar a lesão de Hill-Sachs. Por isso, ombros que saem com frequência devem ser avaliados sem demora.

Leia também: Ressonância do ombro: como entender o laudo e por que ele não conta tudo · O ombro vai sair de novo? Os fatores que aumentam o risco de nova luxação

Recebeu um laudo com lesão de Hill-Sachs ou perda óssea? Uma avaliação ajuda a entender o que isso significa no seu caso.


Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Burkhart SS, De Beer JF. Traumatic glenohumeral bone defects and their relationship to failure of arthroscopic Bankart repairs: significance of the inverted-pear glenoid and the humeral engaging Hill-Sachs lesion. Arthroscopy. 2000;16(7):677-94. PubMed
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  3. Di Giacomo G, Itoi E, Burkhart SS. Evolving concept of bipolar bone loss and the Hill-Sachs lesion: from “engaging/non-engaging” lesion to “on-track/off-track” lesion. Arthroscopy. 2014;30(1):90-8. PubMed
  4. Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, editores. The Shoulder. 5ª ed. Filadélfia: Elsevier; 2017.