Cirurgia da Bia Haddad: por que o ombro do tenista sofre tanto com o manguito rotador

Cirurgia da Bia Haddad: por que o ombro do tenista sofre tanto com o manguito rotador

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A tenista Bia Haddad Maia operou o ombro esquerdo no início de outubro de 2026 para tratar uma lesão do manguito rotador. Ela é canhota, então o ombro operado é o do saque. O caso ajuda a entender uma lesão que não é exclusiva de atleta profissional.

Um aviso importante: não sou o médico da Bia e não tive acesso aos exames dela. O que comento aqui parte do que ela mesma e a imprensa divulgaram.

O que aconteceu com o ombro da Bia Haddad?

Segundo o Lance!, a tenista convivia com dor no ombro esquerdo havia dois anos, com piora na última temporada. Ela contou que sentia dor até para dormir e que sacar tinha se tornado insuportável.

Bia anunciou em agosto uma pausa de seis meses no circuito. A cirurgia foi noticiada como realizada no início de outubro. Depois do procedimento, ela disse nas redes sociais que vai se dedicar totalmente à recuperação, de acordo com o TMC.

Por que o tenista lesiona tanto o manguito rotador?

O manguito rotador é o conjunto de quatro músculos e tendões que estabiliza e gira o ombro. No tênis, ele trabalha muito além do normal, principalmente por causa do saque.

No saque, o braço sobe, gira para dentro em alta velocidade para gerar potência e depois freia de forma brusca. Multiplique isso por centenas de saques por partida e milhares por temporada, ano após ano. O resultado é um desgaste acumulado em uma estrutura que não foi feita para esse tipo de repetição.

É por isso que a lesão do manguito é quase um risco do ofício no tênis profissional. Ela aparece muito mais em esportes com movimento acima da cabeça.

Por que a lesão demora tanto a ser percebida?

Uma entorse dói na hora. O desgaste do manguito costuma ser silencioso. Começa com um desconforto leve, o atleta convive, compensa e segue jogando.

Só quando o tendão está muito inflamado ou parcialmente rompido é que a dor passa a travar o saque. Os sinais que a Bia descreveu são os clássicos: dor à noite e dor no gesto acima da cabeça.

Quando a cirurgia entra na conversa?

Na maior parte das lesões do manguito, o tratamento começa sem cirurgia, com fortalecimento e ajuste de carga. A operação costuma ser discutida quando o tratamento bem feito não resolveu e a lesão impede a pessoa de fazer o que precisa. No atleta, isso significa competir.

Por que a recuperação leva meses?

A imprensa noticiou previsão de cerca de quatro meses de recuperação, com retorno estimado para o início de 2027. A própria tenista disse que só volta quando estiver totalmente recuperada.

O prazo longo tem explicação. Tendão cicatriza devagar, e o ombro precisa recuperar movimento e força antes de aguentar um saque de novo. Apressar essa etapa aumenta o risco de nova lesão.

O que o caso ensina para quem não é atleta?

  • Dor no ombro que atrapalha o sono merece avaliação.
  • Conviver e compensar por meses ou anos costuma tornar o tratamento mais longo.
  • Nadadores, jogadores de vôlei, praticantes de musculação e quem trabalha com os braços elevados sofrem a mesma sobrecarga, em menor escala.

Perguntas frequentes

Qual foi a lesão da Bia Haddad?

Segundo a imprensa, uma lesão do manguito rotador no ombro esquerdo, tratada com cirurgia em outubro de 2026.

Quando a Bia Haddad volta a jogar?

A previsão divulgada foi de cerca de quatro meses de recuperação. Não há data confirmada.

Tenista amador também tem lesão do manguito?

Sim. O gesto é o mesmo. Técnica de saque, volume de treino e fortalecimento do ombro fazem diferença na prevenção.

Leia também: Manguito rotador: o que é e sinais de lesão · Dor no ombro precisa de cirurgia?

Sente dor no ombro ao sacar ou treinar? Agende uma avaliação.


Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Lance! (10/09/2026) e TMC (06/10/2026): reportagens sobre a lesão e a cirurgia de Bia Haddad Maia.
  2. Matsen FA III, Cordasco FA, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 6th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Cap. 8: Ahmad CS, Schulz BM. Nonthrowing athletes.

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