Ombro do arremessador: perda de velocidade, “braço morto” e o que fazer

Ombro do arremessador: perda de velocidade, “braço morto” e o que fazer

Escrito por

em

O arremesso é um dos gestos mais rápidos que o corpo humano produz. Na fase de aceleração, o ombro gira a milhares de graus por segundo, com forças próximas do limite que o osso suporta. Não é surpresa que jogadores de vôlei, handebol, tênis, beisebol e polo aquático tenham tantas queixas no ombro.

A energia vem de baixo

A força de um bom arremesso começa nas pernas, passa pelo quadril e pelo tronco e só no fim chega ao braço. O ombro funciona como um transmissor. Quando um elo dessa cadeia falha, como quadril e tronco fracos, pouca flexibilidade lombar ou falha no apoio em uma perna, o ombro compensa e paga a conta.

Adaptação não é doença

O ombro de quem arremessa há anos é diferente do outro lado, e isso é normal: ele ganha rotação externa, perde um pouco de rotação interna, a escápula muda de posição e o osso do braço muda levemente de forma. Até exames de imagem mostram alterações em atletas sem nenhuma dor. O que preocupa é quando a rotação interna perdida supera a externa ganha, ou seja, quando o arco total de movimento diminui em relação ao outro ombro, e quando a escápula perde o ritmo.

Sinais de alerta

  • perda de velocidade ou de precisão;
  • dor no fundo do ombro na hora de armar o arremesso;
  • sensação de “braço morto”, com fraqueza súbita no gesto;
  • cansaço precoce durante o treino.

As lesões mais comuns

A combinação de perda de rotação interna, escápula mal posicionada e sobrecarga favorece o atrito da face interna do manguito rotador contra o lábio da glenoide. As lesões típicas são as roturas parciais do manguito por dentro e as lesões do lábio superior (SLAP), na inserção do bíceps.

Tratar a causa primeiro

O tratamento começa sempre pela reabilitação: alongamento da parte de trás do ombro, controle da escápula, fortalecimento dos rotadores externos, trabalho de quadril e tronco e um programa progressivo de volta ao arremesso. A maioria melhora em 6 a 12 semanas. A cirurgia entra quando duas rodadas bem feitas de reabilitação não resolveram e há uma lesão que explica os sintomas. Mesmo assim, o retorno ao mesmo nível nem sempre é garantido, e por isso a decisão deve ser muito bem conversada. Em atletas acima de 35 anos com lesão do lábio superior, fixar o tendão do bíceps em outro ponto costuma funcionar melhor do que reparar o lábio.

Prevenção na pré-temporada

Medir a rotação dos dois ombros, a força dos rotadores externos, a posição da escápula e a função de quadril e tronco antes da temporada permite corrigir problemas antes que eles virem dor.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Dr. Fillipe Agra, Médico Ortopedista e Cirurgião do Ombro e Cotovelo, CRM/SP 201.962, RQE 144.556.

Referências

  1. Matsen FA III, Cordasco FA, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 6th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Cap. 7: Ahmad CS, Schulz BM. Throwing athletes. p. 71-100.
  2. Shin MH, Baek S, Kim TM, et al. Biceps tenodesis versus superior labral anterior and posterior (SLAP) lesion repair for the treatment of SLAP lesion in overhead athletes: a systematic review and meta-analysis. Am J Sports Med. 2022;50(14):3987-3997.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *