Ombro congelado (capsulite adesiva): sintomas, fases e a relação com a menopausa

Ombro congelado (capsulite adesiva): sintomas, fases e a relação com a menopausa

Se o seu ombro travou e você não consegue nem pentear o cabelo direito, pode ser ombro congelado. O nome médico é capsulite adesiva. Sem tratamento, o quadro pode levar de 1 a 3 anos para se resolver. Com o acompanhamento certo, dá para encurtar bastante esse tempo.

O que é o ombro congelado?

É uma inflamação seguida de espessamento da cápsula, o tecido que envolve a articulação do ombro. A cápsula perde elasticidade e o ombro passa a se mover cada vez menos, em todas as direções.

Quais são os sintomas da capsulite adesiva?

  • Dor que costuma ser pior à noite.
  • Perda progressiva de movimento, mesmo quando outra pessoa tenta mover o braço.
  • Dificuldade para girar o braço, e não apenas para levantá-lo.

Esse último sinal é muito característico. Prender o sutiã, levar a mão às costas e pentear o cabelo se tornam tarefas difíceis.

Quais são as fases do ombro congelado?

FaseO que predomina
1. DorDor intensa, inclusive em repouso e à noite; o movimento começa a diminuir
2. RigidezA dor cede, mas o ombro fica travado
3. RecuperaçãoO movimento volta de forma gradual

Identificar a fase importa, porque o tratamento muda. Na fase dolorosa, a prioridade é controlar a dor. Depois, o foco passa a ser recuperar o movimento.

Quem tem mais risco?

  • Pessoas com diabetes.
  • Pessoas com alterações da tireoide.
  • Quem ficou com o braço imobilizado por muito tempo.
  • Mulheres entre 40 e 60 anos.

Qual a relação entre menopausa e ombro congelado?

A capsulite adesiva ocorre principalmente em mulheres entre 40 e 60 anos, justamente na transição para a menopausa. A queda do estrogênio pode interferir no controle da inflamação, na produção de colágeno e na resposta dos tendões e da cápsula.

Dois cuidados são importantes. Primeiro: a ciência não provou que a menopausa, sozinha, causa capsulite. Segundo: a reposição hormonal não deve ser iniciada apenas para tratar ou prevenir o ombro congelado. Essa decisão é individual e deve ser tomada com o ginecologista.

“Deixa o braço quieto que passa” funciona?

Não. Ombro parado não descansa, fica rígido. Primeiro incomoda para levantar o braço, depois para vestir uma camisa, depois para se virar na cama.

Poupar o movimento por meses não é tratamento, é adiamento. Quando a pessoa procura ajuda, muitas vezes o maior problema já não é a dor, é o braço que não sobe mais.

Como é o tratamento?

O caminho é entender por que o ombro travou e trabalhar para devolver o movimento, com um plano montado para o seu caso. Em geral, isso envolve controle da dor, fisioterapia adequada à fase e, em alguns casos, infiltração. Quanto mais cedo a capsulite é identificada, mais cedo se controla a dor e se recupera o movimento.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura o ombro congelado?

Sem tratamento, de 1 a 3 anos. Com acompanhamento, esse tempo costuma ser bem menor.

Ombro congelado precisa de cirurgia?

Na grande maioria dos casos, não. A cirurgia é reservada a quadros que não respondem ao tratamento bem conduzido.

Como diferenciar ombro congelado de lesão do manguito?

No ombro congelado, o movimento fica bloqueado mesmo quando outra pessoa tenta mover o braço. Na lesão do manguito, em geral falta força, mas o braço pode ser movido passivamente. O exame físico faz essa distinção.

Leia também: Dor no ombro à noite · Manguito rotador: o que é e sinais de lesão

Seu ombro está travando? Agende uma avaliação.


Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

Referências

  1. Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 5th ed. Philadelphia: Elsevier; 2017. Cap. 19: Ombro rígido.
  2. Hand C, Clipsham K, Rees JL, Carr AJ. Long-term outcome of frozen shoulder. J Shoulder Elbow Surg. 2008;17(2):231-236.

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