Muita gente chega ao consultório com a ressonância na mão, esperando que o exame de imagem dê todas as respostas. Mas, no ombro, a conversa e o exame físico continuam sendo as ferramentas mais importantes para chegar ao diagnóstico. Veja como costuma ser essa avaliação.
Primeiro, a sua história
O especialista quer entender a dor em detalhes: quando começou, se houve queda ou esforço, em que posição piora, se acorda você à noite, se existe formigamento no braço, sensação de que o ombro “sai do lugar” ou perda de força. Também é importante saber sua profissão, os esportes que pratica, doenças como diabetes e problemas de tireoide e os tratamentos que já tentou.
Alguns detalhes da história já dão pistas valiosas. Dor que melhora ao apoiar a mão sobre a cabeça, por exemplo, pode sugerir um problema de tendão ou de nervo. Formigamento no braço, por outro lado, faz pensar em instabilidade ou em problemas que vêm da coluna cervical.
A inspeção
Com o ombro descoberto, o médico observa os dois lados: o formato, o volume dos músculos, assimetrias, cicatrizes e a posição da escápula. Uma “afundada” atrás do ombro pode indicar perda muscular; uma escápula que se descola das costas pode sugerir problemas musculares ou de nervos.
Movimento e força
- Amplitude de movimento: o quanto você consegue levantar e girar o braço sozinho e com ajuda. Quando os dois estão limitados, a suspeita recai sobre rigidez, como na capsulite.
- Testes de força: cada tendão do manguito rotador é testado em uma posição específica, para identificar qual está fraco ou doloroso.
- Testes de estabilidade: manobras que reproduzem, com cuidado, a sensação de apreensão de quem tem instabilidade.
- Testes provocativos: posições que reproduzem a dor e ajudam a localizar a origem, como o tendão do bíceps ou a articulação acromioclavicular.
E os exames de imagem?
Radiografia, ultrassom e ressonância complementam a avaliação. Eles são interpretados à luz da história e do exame físico, e não o contrário. Isso evita dois erros comuns: tratar uma alteração de exame que não causa dor e deixar passar um problema que a imagem não mostra bem.
No fim da consulta, você deve sair entendendo o que provavelmente está causando a dor, quais exames ainda são necessários e quais são as opções de tratamento.
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Dr. Fillipe Agra, Médico Ortopedista e Cirurgião do Ombro e Cotovelo, CRM/SP 201.962, RQE 144.556.
Referências
- Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 5th ed. Philadelphia: Elsevier; 2017. Cap. 3: Exame físico.


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