Toda decisão sobre saúde envolve incerteza. Será que a dor vai melhorar com fisioterapia? Vale a pena fazer a cirurgia agora ou esperar? O exame mostrou uma lesão, mas ela é mesmo a causa da dor? O livro Mais rápido e melhor dedica um capítulo a como tomar boas decisões quando não dá para ter certeza. A resposta passa por pensar em probabilidades.
Prever o futuro sem bola de cristal
O livro conta a história de uma jogadora profissional de pôquer que aprendeu a pensar em vários futuros possíveis e a estimar a chance de cada um. Ela não sabia qual carta ia sair, mas sabia avaliar quais eram mais prováveis e decidir com base nisso. Esse raciocínio é chamado de pensamento bayesiano: partimos de uma estimativa inicial e a atualizamos à medida que recebemos novas informações.

Na medicina, raciocinamos assim o tempo todo
Quando um paciente chega com dor no ombro, o médico já tem uma estimativa inicial baseada na idade, na história e no tipo de atividade. Uma pessoa de 60 anos com dor ao levantar o braço tem uma probabilidade maior de problema no manguito rotador; um jovem que teve uma luxação jogando futebol, de lesão do lábrum. O exame físico, os exames de imagem e a resposta ao tratamento vão atualizando essa estimativa.
Esse raciocínio também explica por que um exame isolado nem sempre dá a resposta final. Muitas pessoas sem nenhuma dor têm alterações nos exames de imagem do ombro, principalmente com a idade. Por isso, o achado do exame precisa combinar com a história e com o exame físico para ganhar peso na decisão.
Como usar isso nas suas decisões
- Pergunte quais são as chances de melhora com cada opção de tratamento;
- Pergunte o que costuma acontecer com pessoas parecidas com você;
- Entenda que uma decisão boa pode ter um resultado ruim por azar, e uma decisão ruim pode dar certo por sorte. O que importa é decidir com a melhor informação disponível;
- Combine com o médico quando reavaliar: se algo mudar, a decisão também pode mudar.
Decidir junto com o paciente, considerando as probabilidades e o que é mais importante para ele, é a base do que se chama de decisão compartilhada.
Perguntas frequentes
É uma forma de raciocinar em que partimos de uma estimativa inicial e a atualizamos à medida que surgem novas informações.
Porque muitas alterações aparecem também em pessoas sem dor, principalmente com a idade. O achado precisa combinar com a história e com o exame físico.
Conversando com o médico sobre as chances de melhora com cada opção, os riscos e o que é mais importante para você. Na maioria das vezes, a decisão pode ser revista se a situação mudar.
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Dr. Fillipe Agra, médico ortopedista, especialista em ombro e cotovelo. CRM/SP 201.962 · RQE 144.556. Atendimento em São Paulo (Pinheiros), Porto Feliz, Araçatuba e Andradina, e online. Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.
Referências
- Duhigg C. Mais rápido e melhor: os segredos da produtividade na vida e nos negócios. Rio de Janeiro: Objetiva; 2016.
- Elwyn G, Frosch D, Thomson R, Joseph-Williams N, Lloyd A, Kinnersley P, et al. Shared decision making: a model for clinical practice. J Gen Intern Med. 2012;27(10):1361-7. PubMed

