Artrose do ombro: quando a cartilagem se desgasta e a prótese é uma opção

Artrose do ombro: quando a cartilagem se desgasta e a prótese é uma opção

A artrose do ombro acontece quando a cartilagem que reveste a cabeça do úmero e a glenoide se desgasta. Sem essa camada lisa, os ossos passam a se atritar, causando dor, rigidez e perda de função. Ela é menos comum que a artrose do joelho e do quadril, mas pode limitar muito a vida de quem tem.

Causas

  • Desgaste primário: relacionado à idade e a fatores individuais.
  • Após lesões: fraturas que atingiram a articulação, luxações repetidas ou cirurgias de estabilização antigas.
  • Rotura grande do manguito rotador: sem os tendões, a cabeça do úmero sobe e desgasta a articulação de forma diferente, a chamada artropatia do manguito.
  • Doenças inflamatórias: como a artrite reumatoide.
  • Osteonecrose: perda da circulação da cabeça do úmero.

Sintomas

Dor profunda que piora com o uso, dor à noite, rigidez progressiva, dificuldade para alcançar as costas ou a cabeça e estalos ou crepitação ao mover o braço. A radiografia geralmente mostra a diminuição do espaço da articulação, e a tomografia ajuda a avaliar o desgaste da glenoide para o planejamento cirúrgico.

Tratamento sem cirurgia

Nas fases iniciais, exercícios para manter o movimento e a força, fisioterapia, medicação, ajuste das atividades e infiltrações guiadas por ultrassom podem controlar bem os sintomas por bastante tempo. Terapias regenerativas podem ser consideradas em casos selecionados.

A prótese de ombro

Quando a dor e a limitação passam a atrapalhar o dia a dia e o tratamento conservador já não resolve, a artroplastia, ou prótese de ombro, é uma opção com ótimos resultados no alívio da dor. Existem dois tipos principais:

  • Prótese anatômica: reproduz o formato normal do ombro. Indicada quando o manguito rotador está íntegro.
  • Prótese reversa: inverte a posição da bola e da concavidade, permitindo que o deltoide levante o braço mesmo sem o manguito. Indicada em roturas grandes, em algumas fraturas e em revisões.

A escolha depende do tipo de desgaste, do estado dos tendões, da idade e das atividades de cada pessoa. Reabilitação bem feita depois da cirurgia é essencial para o bom resultado.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Dr. Fillipe Agra, Médico Ortopedista e Cirurgião do Ombro e Cotovelo, CRM/SP 201.962, RQE 144.556.

Referências

  1. Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 5th ed. Philadelphia: Elsevier; 2017. Cap. 16: Artrose glenoumeral.

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