Ombro do nadador: dor por volume de treino, técnica e frouxidão

Ombro do nadador: dor por volume de treino, técnica e frouxidão

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A dor no ombro é a queixa mais comum entre nadadores, de atletas de base a seleções. Diferente do que acontece em quem arremessa, o problema do nadador não é a força de um único gesto, e sim a repetição: um atleta competitivo chega a dar centenas de milhares de braçadas por braço em um ano.

Por que o ombro do nadador dói

  • Volume e aumento brusco de carga: dobrar a quilometragem de uma hora para outra, por exemplo antes de uma seletiva, é um dos principais gatilhos de dor.
  • Frouxidão: ombros mais frouxos ajudam o nado, e muitos nadadores de elite têm essa característica, mas ela também deixa o ombro mais vulnerável à instabilidade.
  • Desequilíbrio muscular: o nado fortalece muito os músculos que puxam o braço para dentro e para baixo, enquanto os rotadores externos e os estabilizadores da escápula trabalham menos.
  • Técnica: detalhes da braçada mudam muito a carga sobre o ombro.

Onde a técnica pesa

  • Entrada da mão: cruzar a linha do corpo ou entrar com o braço muito rodado para dentro aumenta o atrito nos tendões.
  • Puxada: o cotovelo que “cai” durante a puxada costuma ser sinal de dor ou de fadiga.
  • Recuperação e respiração: pouco rolamento do corpo e respirar sempre para o mesmo lado sobrecarregam um dos ombros.

Como é o tratamento

Na grande maioria dos casos, o tratamento é conservador e se apoia em quatro pilares:

  • Carga: repouso relativo, mantendo o treino de pernas com prancha, e dias de descanso planejados no calendário.
  • Dor: gelo e medicação por pouco tempo, quando necessário.
  • Reequilíbrio: fortalecimento dos rotadores externos e da musculatura da escápula.
  • Técnica: correção da entrada da mão, do cotovelo, do rolamento e treino de respiração para os dois lados.

A cirurgia raramente é necessária e não resolve um problema que é, essencialmente, de volume e de mecânica. Quando existe instabilidade importante que não melhora com a reabilitação, o tratamento é direcionado para ela.

Prevenção

Progredir a carga de forma gradual, medir a força e o ritmo da escápula, filmar a braçada e incluir um programa de fortalecimento do ombro na rotina de treinos são as melhores formas de evitar que a dor tire o atleta da piscina.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Dr. Fillipe Agra, Médico Ortopedista e Cirurgião do Ombro e Cotovelo, CRM/SP 201.962, RQE 144.556.

Referências

  1. Matsen FA III, Cordasco FA, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 6th ed. Philadelphia: Elsevier; 2022. Cap. 8: Ahmad CS, Schulz BM. Nonthrowing athletes. p. 101-117.
  2. McMaster WC, Troup J. A survey of interfering shoulder pain in United States competitive swimmers. Am J Sports Med. 1993;21(1):67-70.

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