O movimento de arremesso é um dos mais rápidos e intensos que o corpo humano consegue produzir. Vôlei, handebol, tênis, natação, beisebol, crossfit e lutas colocam o ombro em posições extremas, com cargas repetidas milhares de vezes. Não é à toa que o ombro é uma das articulações mais lesionadas em atletas.
O ombro não trabalha sozinho
A força de um arremesso começa nas pernas, passa pelo quadril e pelo tronco e só no fim chega ao braço. Esse conjunto é chamado de cadeia cinética. Quando uma parte dela falha, como pouca rotação do quadril, tronco fraco ou escápula mal posicionada, o ombro precisa compensar e fica sobrecarregado. Muitas lesões do atleta começam longe do ombro.
Lesões mais comuns
- Discinesia da escápula: alteração no movimento da escápula, que muda a mecânica do ombro e favorece outras lesões.
- Perda de rotação interna: a parte de trás da cápsula fica rígida com os anos de arremesso, alterando o centro de rotação do ombro.
- Impacto interno e lesões do manguito: desgaste e roturas parciais na face de dentro dos tendões.
- Lesões do lábio superior: afetam a inserção do bíceps e causam dor profunda e perda de rendimento, o chamado “braço morto”.
- Instabilidade: por traumas ou microtraumas repetidos.
Prevenção
Controle do volume de treino e de arremessos, alongamento da parte de trás do ombro, fortalecimento do manguito rotador e da musculatura da escápula, trabalho de tronco e quadril e correção da técnica fazem enorme diferença. Dor que muda o gesto esportivo ou queda de rendimento são sinais de que algo não vai bem.
Tratamento
A maior parte dos atletas melhora com reabilitação bem direcionada, que corrige a cadeia cinética como um todo. Procedimentos guiados por ultrassom e terapias regenerativas podem ajudar em casos selecionados. A cirurgia é reservada para lesões estruturais que não respondem ao tratamento, e o retorno ao esporte deve ser planejado em etapas, junto com a equipe técnica.
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Dr. Fillipe Agra, Médico Ortopedista e Cirurgião do Ombro e Cotovelo, CRM/SP 201.962, RQE 144.556.
Referências
- Rockwood CA Jr, Matsen FA III, Wirth MA, Lippitt SB, Fehringer EV, Sperling JW, eds. Rockwood and Matsen’s The Shoulder. 5th ed. Philadelphia: Elsevier; 2017. Cap. 20: O ombro do atleta.


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